De repente, a vida floresce. E o que acontece com você?

lavanda

É chegada a primavera, das ruas coloridas de flores que esgotam a copa das árvores exuberantes a nossa vista. Está ela todo ano, e ainda assim surpreende: a beleza importa! Mas aquela beleza que o coração enxerga, e que não exclui, não exige formação e nem teorias. Aquela beleza que recupera a unidade e inspira o bem, o cuidado.

Existem estudos botânicos milenares, e eles auxiliam muito a medicina e a cura pela natureza. Todavia, acabamos com o tempo subestimando muito a nossa própria capacidade de compreender algumas coisas que se revelam através de formas, cheiros, cores e expressões. É como se houvesse um conhecimento do mundo, que contém tudo e está em cada um de nós. Desenvolver essa habilidade requer observação, silêncio, e contato com aquela verdade que mora nas profundezas do nosso ser.

calêndula

As flores, que de maneira geral são homenageadas e iluminadas no período da primavera, são sutis, delicadas, femininas. Muitas vezes frágeis, mas contém tanta fertilidade. Unem-se as árvores e aos arbustos de maneira tão tênue e ao mesmo tempo infinita. Isso nos dá pistas fáceis sobre essa estação. Parece ser um período de renovação, superação, de um novo impulso, de um novo começo, uma nova inspiração. A beleza das flores nas ruas apoia esse processo, colorindo a nossa visão e fazendo com que inconscientemente brote em nós uma grande fé na vida.

A simples observação do movimento da natureza no tempo pode nos levar a conclusões semelhantes em qualquer lugar do mundo, mesmo sobre o ponto de vista de diversas culturas e religiões. Essa é a ideia da fenomenologia de Goethe, que busca captar a essência dos fenômenos naturais por meio da observação e da intuição. De maneira simples, Goethe acreditava que os indivíduos, através do acompanhamento sistemático do movimento temporal de uma planta, ou qualquer outro elemento, poderiam compreender a sua composição, sua força e fraqueza, seu poder curativo, entre tantas. Parte-se da observação das características objetivas, como forma, cheiro, textura, viscosidade, cor, para características cada vez mais subjetivas. Ao final, é como se a imagem da natureza observada se revelasse diante do observador.

Sempre, chegamos a EMPATIA! Receber o outro com interesse verdadeiro.

A primavera é observada e compreendida de diversas maneiras, e traduzida através de linguagens correspondentes a culturas e símbolos distintos. Na antroposofia, a primavera coincide com a época de Micael, arcanjo comemorado no dia 29 de setembro. É uma comemoração da coragem, do impulso individual, da busca pela verdade, da superação dos medos e das ilusões do mundo.

Verso para Época de Micael
(Rudolf Steiner)
Temos de erradicar da alma todo medo e terror que o futuro possa trazer ao homem.

Temos de adquirir serenidade em todos os sentimentos e sensações a respeito do futuro.

Temos de olhar para a frente com absoluta equanimidade para com tudo o que possa vir. E temos que pensar somente que tudo o que vier, nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria.

Isto é parte do que temos que aprender nesta era, a saber viver com pura confiança, sem qualquer segurança na existência, confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.

Em verdade nada terá valor se a coragem nos faltar.

Disciplinemos nossa vontade, e busquemos o despertar interior, todas as manhas e todas as noites.

Seja por Micael, pela observação Goetheana, ou pela simples imagem do florescer da primavera que desperta em qualquer um esse sentido de beleza pura, a estação é de movimento, respiração, coragem e renovação.

flores

Na medicina chinesa, por sua vez, a primavera é considerada a estação correspondente ao fígado. Esse grande órgão é responsável pela energia que flui para todo o corpo, além de suas funções na digestão e também na filtragem do sangue. É no fígado que é determinado o que fica e o que vai embora! Esse órgão também tem forte ligação com nossos sentimentos e equilíbrio emocional.

A primavera coloca em evidência as características do fígado, o qual, caso não bem cuidado, pode ficar com excesso ou falta de energia. Esse desequilíbrio se mostra através de sinais como irritabilidade, tensão nas articulações e ATM, rinite, no caso de excesso de energia. Já na falta dela, manifesta-se a tristeza, falta de esperança, fadiga e má digestão. Essas são só alguns sintomas superficiais com intuito de mostrar como somos seres complexos e como de alguma forma reproduzimos individualmente os movimentos da natureza e do universo. A primavera acontece em cada um de nós!

Queremos sugerir alguns exercícios do bem para a chegada dessa estação:

  • Escolha uma plantinha pela qual você tenha afeição mas não conheça muito para observar por um período, durante todos os dias, e em diversos horários. Tente desenhá-la, tocá-la, entender seu movimento de crescimento, cheiro, espessura. Após isso tente compreender a sua imagem no mundo, e mais adiante arriscar “adivinhar” como ela interagiria com você e com sua saúde. Depois pesquise!
  • Faça um diário sobre você. Anote todos os dias como percebe sua disposição, apetite, paciência e relação com as pessoas, clareza mental. Para as mulheres, registre também o seu ciclo menstrual! Depois de um tempo, tente encontrar padrões e se conhecer muito melhor!
  • Nessa primavera, cuide do seu fígado e mantenha-o desintoxicado.
  • Lembre-se: “O contrário do medo não é a coragem, mas o amor.” (Rudolf Steiner) Use e abuse do amor para renascer, fazer fluir novas ideias, deixar para trás o que não faz bem, e caminhar de encontro com sua verdadeira essência.
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